O dia amanhece entre o azul e o rosa visto do alto da serra, mais uma descida pela estrada de manutenção.
O lugar é fantástico, mesmo já sendo a 4a. vez que desço, sempre há detalhes novos, algo que passara despercebido.
Claro que as pessoas que estão junto no passeio e as condições do clima influem na observação.
Esta teve suas particularidades, vejam só!
Era pouco antes das 8:00 e as pessoas começavam a chegar conforme o combinado. O primeiro foi o André... sua bike uma Gallo, 24V e freio a disco que o ajudei a montar com dicas e peças que tinha em estoque resultantes de upgrades que fui fazendo.
Em seguida o Jorge, sempre afiado no pedal, com sua fleuma oriental e jeito quieto mas alegre. Pilota uma Volare, cujos detalhes nunca observei.
Em seguida o Fábio que já tinha deixado sua GTS de 27V-Deore comigo na noite anterior. O Luiz deu o cano (e eu já tinha sentido que isso aconteceria) assim o Fábio ficou sem o capacete que emprestaria dele. Surge assim o primeiro imprevisto.
Depois chega a Cláudia... ela vai com a bike da Carol (T-Type de 21V), está ansiosa e faz parte do rol dos novatos nesse passeio, ao lado do André, do Iório e da Luciene. Estes últimos que vem de SP acabam de chegar com suas Caloi Elite (24 e 21V respectivamente).
Bem somos 7 e não 8 como previsto.Como? Só falei 6 nomes? Claro... sou eu o outro e a minha Astro de 27V.
Ah, sim nesse meio tempo chegou o Izack e sua Kombosa que vai nos levar lá em cima da serra, pois a maioria de nós não subiria no pedal (inclusive eu, fora de forma e saindo de uma gripe forte).
A Carol (a patroa) e o Matteo (o baby) vão levar alguns que não couberam na Kombi.
Finalmente, estão todos prontos e equipados, vejam só.
Finalmente, estão todos prontos e equipados, vejam só.
Daqui entramos no parque, apresentamos nossas credenciais e começa um dia com muita adrenalina e deslumbre com o visual exuberante da Serra do Mar nos poucos mais de 7% do total que já existiu.
Entramos no Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Itutinga-Pilões - e nosso objetivo é descer a serra no ritmo a habilidade de cada um permitir, sempre em conjunto, mesmo que hajam algumas escapadas, mas sempre nos reunimos em poucos minutos.
Depois da apresentação dos documentos, uma leve subida marca o início do passeio. Alcançamos um platô onde o barulho da Imigrantes já ficou para trás e se apresenta o silêncio esperado. Mais uma descida e outra subida, se descortina a exuberância da mata atlântica.
Assim vamos seguindo e o primeiro obstáculo a vencer é o receio da Luciene em descidas. Uma verdadeira terapia em prática. E pior nesse primeiro trecho estão as descidas mais íngremes e perigosas devido ao limo muito escorregadio. Mas ela, apesar de certa tensão vai se superando e vencendo as limitações.
Mas o clima já é de festa, o ar da montanha, o sol e o frescor do lugar contagia a todos.
Bendita invenção das câmeras digitais... não haveria espaço nas mochilas para tantos rolos de filme se assim fosse necessário, há muito a ver e muito a registrar e esta história é uma ponta de iceberg do que haveria a contar... vou deixar os registros falarem por si:
Chegamos á primeira parada para uma sessão de fotos mais longa, não há como negar que mesmo os que já desceram outras vezes não se cansam de ver: Eu 4X, Jorge 3X, Fábio 2X.
Na primeira que tivemos descido Fábio e Eu (e mais o Luiz) havíamos descido clandestinamente e havia uma certa tensão de ser descoberto. Era um tempo em que a descida era proibida para os ciclistas, mas não para os que iam fazer seus 'trabalhos' religiosos, as motocicletas - certamente produto de ilícitos - se esquivando à fiscalização e os moradores dos bairros cota.
Aqui um pequeno parênteses: nada contra as pessoas que habitam as encostas nos bairros cotas, tudo contra o poder público que não age no sentido de apagar essa chaga da encosta da mata atlântica que dia a dia vai se alastrando sob os olhos complacentes das autoridades que lhes fornece mesmo infraestrutura.
Dessa forma ficam em risco a mata e as pessoas penduradas nas paredes da serra até dia que a revolta da natureza - que não admite maus tratos por muito tempo, reivindicar seu espaço de volta e remover de forma trágica esses invasores.
Bem, chega de reflexões e vamos à parada para fotos:
A descida segue sem contratempos maiores. Apenas para registro, a Cláudia que deixou de fazer uma curva foi aterrissar no mato (macio felizmente), a corrente da bike do Iório que numa subida decidiu se romper, mas depois de um monte de graxa nas mãos, três extratores de pino (um para abrir, outro para encaixar e um terceiro para fazer o pino passar pelo elo, que teimosamente resistia) e 8 mãos ficou perfeita de novo.
Chegamos então a um túnel que desemboca no primeiro túnel da Imigrantes nova, entramos por ele e a sensação não é fácil de descrever. É como se fosse levar a algum lugar mistico ou desconhecido... apenas uma sensação. Lá dentro os carros passam frenéticos. Não imagino se nos veem e se virem o que imaginam.
Não gente, esse era outro filme, um seriado antigo, alguém se lembra? Vendo desta forma até que parece, não?
A Mata Atlântica e a Serra do Mar são cenários inspiradores e abrem espaço para a imaginação.
O paradoxo entre a imensidão da mata aparentemente intocada e as estruturas de concreto representam um visual único de rara beleza. A preservação é um trabalho delicado: como preservar sem excluir o ser humano que também tem direito a estar em meio à natureza?
A imigrantes é uma estrada essencial ao escoamento de nossos produtos para o porto. É também essencial à vida das pessoas aqui da baixada, já que muitos de nós vivem da vocação turística dessas cidades.
Felizmente podemos observar que o impacto causado ao meio ambiente não foi tão severo... contudo nem sempre é assim. Há obras que as perdas são muito, mas muito maiores que os benefícios.
Mas esta não é uma apologia à ecologia, nem um sermão, são apenas as fotos de um passeio que certamente você gostará de fazer.
Vejam todas as fotos nas postagens seguintes.
Grato pela sua atenção.


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